Já faz um bom tempo que pensei em escrever sobre isso, até que nesta última semana, em uma conversa com um possível cliente, surgiu a inspiração para de fato escrever este texto e tirar esse peso de minhas costas.

Estávamos falando dos principais erros das Startups nos últimos anos (o que renderá outro texto) e chegamos à conclusão que uma grande razão desse fracasso é a prostituição do termo “Startup”.

Graças ao inútil empreendedorismo de palco, pessoas que se acham entendidas algumas pessoas começaram a abominar qualquer modelo de negócio criado no modelo Startup, pelo simples fato de serem ignorantes no assunto. Criticando e destruindo sonhos de novos empreendedores que querem lançar seus negócios baseados neste modelo mais atual de gestão e desenvolvimento.

Startup não é trabalhar de bermuda, beber uma cerveja no final do expediente ou descer num escorregador de um andar para outro. Mesmo que todos que trabalham num ritmo estressante precisem de momentos de descontração e conforto.

Startup é um modelo de sucesso para pessoas que têm mente aberta e criativa, que são extremamente focadas e possuem uma boa equipe de desenvolvimento e planejamento estratégico. Em outras palavras, NÃO É PARA QUALQUER UM. 

Além disso, Startup não é um tipo de empresa (nossa legislação nem reconhece isso ainda), e sim uma cultura (ou modelo) organizacional que visa os seguintes aspectos:

  • Trabalhar na incerteza;
  • A empresa deve gerar valor, ou seja, a médio ou longo prazo ela deve de alguma forma gerar lucro;
  • Ser repetível; e
  • O produto deve ser escalável.

 

E por que prostituíram o termo então?

Nesse mundo de aparências que vemos hoje, qualquer empresa de tecnologia que é criada, denominam de Startup, isso está certo?

Não necessariamente. Nem toda a empresa de tecnologia é uma Startup, devemos observar o modelo de negócio. Por exemplo, se a sua empresa desenvolve Software sob demanda (fábrica de software) ou websites personalizados, me desculpe, mas você não possui uma Startup. Agora, se você possui além desses serviços, o desenvolvimento na forma de produtos, onde seu software não possui muitas customizações e tem alcance ilimitado, agora sim estamos falando de uma Startup.

“Na minha Startup eu não cobro horários, deixo os colaboradores usar roupa casual e sempre tem cervejinha gelada na geladeira.”

Eu já escutei este absurdo e, ao que parece para os novos empreendedores, Startup não se refere ao modelo de negócio que a organização implementa, mas sim ao quão “descolada” sua empresa é. Não caia nessa cilada, é só um mecanismo para vender mais…

E por que esse nome vende tanto?

É evidente que visando angariar mais clientes, os empresários tendem toda e qualquer estratégia de marketing para atingir suas metas. E isso vem afetando até o desenvolvimento de E-Commerces, que simplesmente se denominam como Startups porque possuem vendas pela internet.

Veja bem, se você vende produtos onde há uma linha de produção, redes de fornecedores, muita customização e pouca escalabilidade (cenário receitas crescem proporcionalmente em relação às despesas), então você não possui uma Startup.

E eu posso ter uma Startups sem ser de tecnologia?

Com certeza!

Há inúmeras organizações espalhadas pelo Brasil que não seguem o padrão de desenvolvimento com base tecnológica, implementam o modelo citado anteriormente e nem sabem que são Startups. Essas empresas podem atuar em qualquer ramo, podendo ser encontradas no ramo da educação, saúde e até mesmo de cervejas artesanais.

Embora as Startups de tecnologia apareçam com maior destaque, até mesmo pelo maior número de empresas na área, vale lembrar que um fator fundamental para o sucesso é o conhecimento possuído pelo empreendedor sobre seu mercado de atuação.

 

Frisamos ainda que de nada adianta tentar se atirar num mercado incerto sem validar de forma mais precisa possível a sua ideia, visando conhecer ao máximo quem são seus clientes e fornecedores, suas receitas, seu investimento, quais os parceiros em potencial e seus concorrentes.

Para finalizar, como “Startuper”, peço um pouco mais de respeito há quem tenta empreender num mercado tão difícil como é o Brasileiro, que trabalha mais de 12h por dia e não desliga do seu projeto nem nos finais de semana.

 

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